terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"Promoções, silêncios e desvirtuações na TV - A informação ao serviço da estação", de Dinis Manuel Alves

Televisão

Nas televisões portuguesas pratica-se um jornalismo de guerra sem que seja preciso arriscar repórteres no campo de batalha. A guerra é suja e trava-se entre as estações de televisão. Promovem-se os produtos da casa, com os telejornais servindo de outdoors para alavancar audiências e desmoralizar o inimigo da frequência ao lado. É publicidade travestida de notícia, com a vantagem de não contar para as quotas. O cidadão-telespectador perde, mas perde muito mais com outras práticas, muito mais condenáveis também. Há silêncios comprometedores, verdadeiros apagões noticiosos, e há desvirtuações graves merecendo lugar de destaque no pelourinho das falhas deontológicas. Dinis Manuel Alves passou à lupa centenas de telejornais das TV’s portuguesas, dando conta, neste livro, de autênticas campanhas de manipulação informativa. “A informação ao serviço da estação” talvez se devesse chamar “Como eles nos enganam”. Este é o primeiro de quatro livros integrados no projecto de investigação da tese de doutoramento defendida pelo autor na Universidade de Coimbra em Abril de 2005.

Edição: Mar da Palavra
Apoio: Gabinete para os Meios de Comunicação Social (GMCS)
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O AUTOR:
Dinis Manuel Alves nasceu no Lobito, Angola, em 1958. É doutorado em Ciências da Comunicação (2005), licenciado em Jornalismo (1999) e em Direito (1981), pela Universidade de Coimbra.
Director do Curso de 1.º Ciclo (Licenciatura) em Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga. Foi jornalista da TSF, Expresso, Grande Reportagem, TVI, Tal & Qual e Jornal de Coimbra. Desempenhou ainda as funções de repórter fotográfico. Autor de várias exposições de fotografia e de sites na Web, acessíveis através de www.mediatico.com.pt Deputado à Assembleia da República (PS), apresentou em parceria com Jaime Ramos (PSD) o primeiro projecto de criação de rádios locais em Portugal (1983). Este é o quinto livro de sua autoria.
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CAPA: Ilustração de Luís Miguel Pato
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Vídeos sobre o lançamento do livro A informação ao serviço da estação:
http://www.youtube.com/watch?v=neM4bicQ0XI
http://www.youtube.com/watch?v=EDmvcKMSigI
http://www.youtube.com/watch?v=jflGm7tK6Z0
http://www.youtube.com/watch?v=lyPDCq48y7M
http://www.youtube.com/watch?v=6REiedLEuyM
http://www.youtube.com/watch?v=lcmKA_13G9E
http://www.youtube.com/watch?v=1h4E64jEsxk
http://www.youtube.com/watch?v=d7GoHQtmdnM
http://www.youtube.com/watch?v=8oiFnaAq7lM
http://www.youtube.com/watch?v=HgYPn4i9YHg
http://www.youtube.com/watch?v=wwbhe7qptJE

Registo de notícias e outras referências:
http://webcache.googleusercontent.com/search?hl=pt-PT&q=cache:zxYRvZJo9KwJ:http://www.mediatico.com.pt/sartigo/imprimir.php?x=211+%22editado+pela+Mar+da+Palavra%22&ct=clnk
http://www.fnac.pt/A-Informacao-ao-Servico-da-Estacao-Varios/a58689?PID=5&Mn=-1&Ra=-1&To=0&Nu=1&Fr=8
http://www.portal.ecclesia.pt/pub/14/noticia.asp?jornalid=14&noticiaid=76323

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"Terceiro Mundo em notícias - Em directo do Inferno", de Dinis Manuel Alves


Drama, orangotangos, guerra, futebol, chimpanzés, fome, crocodilos, futebol, elefantes, miséria, macacos, inundações, corvos, futebol, serpentes, secas, tigres, golpes de Estado, camarões, futebol, gatos, execuções, ratos, terramotos, tubarões, assassinatos, cães, futebol, hipopótamos, vulcões, atentados, violações, doenças…
Estes são os ingredientes com que os editores dos telejornais portugueses confeccionam o Terceiro Mundo servido dia após dia aos telespectadores.
Dinis Manuel Alves, investigador universitário e ex-jornalista, analisou as notícias de África, da Ásia, da América Central e do Sul, difundidas em 3.800 telejornais da RTP1, RTP2, SIC e TVI.
Uma autêntica descida aos infernos, as televisões lusas dando do Outro – de centenas de milhões de Outros que vivem nos 96 países estudados – imagens quase sempre
manchadas de sangue. Quando este se esvai, recorre-se ao exótico e ao bizarro.
Entretidos a dar notícias do Outro quando lá fora, sentimos calafrios ao sabermos de notícias do Outro, quando cá dentro.
Um dia, acordando de sono profundo contabilizando sonhos vários com pateras, hordas de deserdados arribando à costa rica, descobrimos que o Outro está entre nós.
Tantas vezes pintado com as cores garridas da Internacional da Bizarria, natural se torna a dificuldade em descascar-lhe a pele prenhe de preconceitos e estereótipos com que o cravejámos, por interpostas notícias da televisão.
Em Directo do Inferno” interessa a jornalistas, estudantes, aos cidadãos-telespectadores em geral. Instrumento útil de educação para os media, educação para a cidadania, um grito de alerta contra os indutores xenófobos resultantes da irresponsabilidade de agendar. Porque o Terceiro Mundo não é, apenas, um gigantesco jardim zoológico catódico.

Edição: Mar da Palavra
Apoio:
Gabinete para os Meios de Comunicação Social (GMCS)
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O AUTOR:
Dinis Manuel Alves nasceu no Lobito, Angola, em 1958. É doutorado em Ciências da Comunicação (2005), licenciado em Jornalismo (1999) e em Direito (1981), pela Universidade de Coimbra. Director do Curso de 1.º Ciclo (Licenciatura) em Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga. Foi jornalista da TSF, Expresso, Grande Reportagem, TVI, Tal & Qual e Jornal de Coimbra. Desempenhou ainda as funções de repórter fotográfico. Autor de várias exposições de fotografia e de sites na Web, acessíveis através de www.mediatico.com.pt Deputado à Assembleia da República (PS), apresentou em parceria com Jaime Ramos (PSD) o primeiro projecto de criação de rádios locais em Portugal (1983). Este é o sexto livro de sua autoria.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"O fio das harpas", poesia de Fernando Miguel Bernardes

Este livro é, no fundamental, o resultado de uma recolha de antigos poemas, alguns mantidos inéditos por motivos vários, não de menos peso a acção da censura imposta antes de Abril de 1974; outros, poucos, conseguiram ao tempo sair à luz do dia devido a alguma distracção dos censores ante a persistência de inteligentes e compreensivos directores de jornais, revistas literárias e outras publicações. Dois ou três aqui incluídos foram recuperados recentemente, entre vasta documentação e textos avulsos, nos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo (obrigado, JM), manuscritos dessa época “confiscados” (entre aspas, que destes actos não havia autos) em buscas e apreensões diversas. Já em 1989, saiu o livro ReColagem, que albergava, entre outros, uma pequena colecção de títulos do presente volume. A estes foram acrescidos vários então não seleccionados, ou porque não encontrados, e uns poucos mais recentes. De qualquer dos modos, as datas que ostentam os localizam no tempo.Alguns dos poemas aqui incluídos, contemporâneos do movimento musical que integrava o que ficou tradicionalmente conhecido como novas baladas, ou canto de intervenção, foram musicados, declamados e cantados (em diversos casos com gravações em discos) por artistas como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, Daniel, José Jorge Letria, José Niza, José Carlos Ary dos Santos e Samuel.
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FERNANDO MIGUEL BERNARDES
um Poeta vivo antes e depois de Abril
Na forma de intervenção pessoal de entender a literatura como a atitude de quem se serviu das palavras para denunciar e combater o poder injusto, porque desde os tempos da juventude não soube estar na vida indiferente ou alheado do que se passava em seu redor, Fernando Miguel Bernardes deseja com este livro recuperar os muitos poemas que ficaram nas gavetas ou não passaram aos olhares da Censura em tempo de outras clandestinidades e aqui aparecem datados de 1951 a 1999 e muitos são ainda cantados nas vozes de José Afonso ou de Adriano Correia de Oliveira:

No cimo da cana verde
voava a esperança e pousou…

No fio das harpas que se espalha pelos seus poemas, no que de mais dizível e visível percorre esta “arte poética” já revelada em livros como O Grilo e o seu Violão, Tudo Gira em Toda a Parte, ou ReColagem, Fernando Miguel Bernardes é uma voz que continua a afirmar-se na coerência dos valores que sempre defendeu e, sem dúvida, nos faz recuar às mais fundas raízes da nossa tradição lírica num tom poético melodioso e cantante de quem adoptou como divisa o que inscreve nestes versos:

Se poeta sou
Sei a quem o devo:
Ao povo a quem dou
Os versos que escrevo.

E assim o sentido poético de Fernando Miguel Bernardes uma vez mais se afirma em O Fio das Harpas como a voz singular e pessoal de um poeta de antes e depois de Abril ter chegado até nós ainda na memória de outros rios e lugares e na força da sua resistência e intervenção política.

Serafim Ferreira
Abril, 2009
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O AUTOR:
Fernando Miguel Bernardes nasceu em Gândara dos Olivais, Leiria. Frequentou as Universidades de Coimbra e Clássica de Lisboa.Como engenheiro geógrafo, e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, fez uma pós-graduação em Cálculo Científico.
Docente do ensino superior, foi também técnico superior de Sistemas Informáticos, e director de departamento na Função Pública, na área da Cultura.
Co-fundador da Organização dos Trabalhadores Científicos, é sócio activo de instituições científicas e culturais como a Sociedade de Geografia de Lisboa, com incidência na secção de Física Matemática e Cartografia, ou a Associação Portuguesa de Escritores, de cuja Direcção é membro efectivo.
Integra e coordena habitualmente júris de prémios literários de âmbito nacional e internacional.Antes do 25 de Abril, assumindo na prática posições coerentes com a sua ideologia, foi várias vezes preso, julgado e condenado, tendo cumprido as sucessivas penas em cadeias políticas de Coimbra, Porto, Lisboa e Caxias. Mais tarde, foi-lhe reconhecido, pela Assembleia da República, o “mérito excepcional da contribuição dada à defesa da Liberdade e da Democracia”.
Como seguimento da publicação dos seus livros para a infância e juventude, vem visitando escolas do Ensino Básico por todo o País, para, com as crianças, os pais e os professores, ler e comentar e dramatizar alguns dos seus textos, previamente explorados nas respectivas turmas.
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APRESENTAÇÃO DA OBRA POÉTICA "O fio das harpas", pelo Prof. Doutor José d´Encarnação, no Palácio Galveias (Biblioteca Municipal Central de Lisboa), em 27 de Maio de 2009:

Resisto a passar as páginas, antes de me consciencializar do que vou ler.
O Fio das Harpas.
Harpas contém ressonância antiga, límpida, a desdobrar-se em ondas sonoras pelo espaço. Não um espaço qualquer! Harpa requer recolhimento, em pequena sala aconchegada, em casebre de pedra nua perdido na encosta num aninhar de lareira, sombra vasta de árvore a acolher rebanho em hora de acarro – pois seja: que o tilintar da guizalhada não se compadece com o vibrar das suas cordas…
Fio – com fio se faz um tecido para aquecer mágoas e confortar rudezas; com fio se cortam maldades, se talham esconjuros… Por um fio se passa, se vive, se morre, se grita – que ele também são fios as nossas cordas vocais.
O Fio das Harpas promete, pois, sossego, sim, a maviosa envolvência; mas também o gume que não hesite em cortar!
Vamos ver!
São quase 200 páginas de caminho. Deixar-nos-emos embalar!Olá!... A caminhada promete – que por ali andou o lápis azul, a confiscação compulsiva. E vozes do nosso actual – e eterno! – descontentamento. Baladas. O Zeca, o Zé Jorge, o Adriano… Estamos, pois, em boa companhia! Recorda-se a velha casa e os anciãos que a encheram. Os companheiros de viagem – idos ou ainda presentes, perdidos nunca!
E cá está a árvore! As folhas são os fios das harpas que resistem, a cantar, mesmo que com vinagre insistam em lhes regar as raízes. Que elas sabem morrer de pé! E sempre haverá flores, mesmo que o chão seja sombrio! Sempre – porque nós, porque o poeta o quer!...
«Fico contente se versos faço», se para isso ainda tenho liberdade, pois, no mar, «eu vejo clamores pela paz». No mar, nos guindastes de aço, nas chaminés fumegantes, nos bancos das escolas… Canto a terra – não pelo bem que ela tenha, mas pelo que eu para ela sonho; canto o povo:

Se poeta sou
Sei a quem o devo

– estes são, seguramente, dois dos versos mais significativos de Fernando Bernardes, que acrescenta:

Ao povo a quem dou
Os versos que escrevo

Da sua vida rude
Colhi a poesia
Tentei quanto pude
Dar-lhe melodia

Assume-se o poeta como um arauto, um elo de ligação. Não está sozinho, não, porque o que escreve é dele e das gentes com quem lida e luta, das terras em que se situa e, livre, quer criar raízes. Há, pois, este diálogo sempre! Não se perde em filosofias, em rodriguinhos de estilo, não. Pão pão queijo queijo – mas sempre de uma forma esbelta e, se possível, cantada, ritmada, prenhe de melopeia...
Que se aprenda, que se baile, que se trauteie num ápice – porque apetece, qual rio que brinca por entre as pedras, pássaro que saltita de ramo em ramo, onda que desmaia na areia mas quer deixar rasto…
E todo o Universo é convocado para a sinfonia, num conluio amoroso que não é só o da pessoa amada, porque, aqui, amada é a mulher (sim), no lirismo a que não há poeta português que, algum dia, consiga escapar, mas são as gentes, os irmãos…

Apeia-se o rei e o trono
põe o pé ao pé do meu
tu comigo somos dois
quem ficou só já perdeu.

Se estou ao pé de ti
foge-me o tempo entre os dedos…
Se longe alongam-se os dias
como em prisão, nos segredos.

Esta noite choveu muito,
de manhã fui ver o mar
Esta noite amei-te tanto
Sereno fiquei – de te amar…

E, por falar em lirismo, sentir-se-ão bastas vezes os ecos das cantigas de amigo e de amor d’outrora e de sempre, que o poeta é trovador mesmo e sonha em ir de porta em porta, de corte em corte, de arraial em arraial, a dizer de sua justiça – «quero a paz do tempo conquistado» –, a colher cravos onde outrem teimou em semear abrolhos:

Amarga-me a boca
Do travo da vida
– minha voz tão solta
Onde foi perdida?

Menino de escola
Alegre e ridente
– onde foi perdida
Minha voz contente?

Ai flores, ai flores do verde pino
Se sabedes novas do meu amigo
Ai Deus i o é?
Ai flores ai flores do verde prado
SE sabedes novas do meu amado
Ai Deus i o é?

Uma delícia este ritmo de embalar:

vi-te vi-te verde
na pedra a cismar…

vermelho vermelho sangue…

No Inverno bato o queixo
– qualquer dia, qualquer dia!...
No Inverno aperto o cinto
– qualquer dia, qualquer dia!...

Irmão camponês, acredita: qualquer dia, qualquer dia. E esse dia virá! «Que também na lama do Nilo vicejam as flores de lótus»… Que «um Homem mesmo longe mete medo».
Ecos do nosso folclore, em que até a cana verde, algo de comezinho no nosso dia-a-dia actual – quem há aí que veja uma cana verde, que oiça o sussurrar do vento pelo canavial, que saiba, até, onde há canaviais?!... – até a cana verde é ponto de referência. Nela pousou a esperança, apesar do vento, ela aguentou-se lá. Por pouco tempo, parece, porque… pelo restolho se perdeu…
E a mulher dos farrapos mexia e remexia no caixote. Tirou meio pão duro, tirou pente velho, tirou uma flor.
Mirou-a, mirou-a e… sussurrou: «Bom dia!» – porque, nós queremos e proclamamos: «Hoje não há cifrões mas uma flor!»
E relemos a história do Fio de Água – tem Alentejo fronteiras, terras largas vista grande… Alguém hoje se admira que Fio de Água por lá ande?»
E ele há também por i poemas a partir de mote, quase à moda de além-Tejo:

Papão negro ave torva
Muito bonda o desatino
Vai-te embora em má hora!
Deixa dormir o menino…
Um soninho descansado.


Pronto, já li. Já saboreei. A longos haustos. Num comboio cheio de ir e vir Cascais – Cais do Sodré – Cascais. E continuei no autocarro e assentei-me no banco do meu jardim, que, junto às brancas orquídeas, aos antúrios bem vermelhos, com o Maio ao colo, ronronando embora, tinha de acabá-lo já. Sem tardança, que apetecia ler, ler… até final.
Acabei e apetece-me agora voltar atrás, a outras páginas que anotei para releitura serena.
Que linda a história do buraquinho onde o menino depositou pedras de sal, um pirilampo, suor e esperança, antes de adormecer. De manhã, nada nascera. A avó enganara-o na esperança e ele perguntou: mas não há aí uns senhores que põem sal, pirilampos.... e não se preocupam nem com o suor nem com a esperança e… a coisa resulta?… Como é, avó?
Essa flor não nasceu, menino. Nem outras.
«Renascer uma rosa, amigo Urbano, quando não há Primavera há tanto ano!...»
E sabes porquê? Porque sob as frondosas faias se treinam cavalos, homens, cães-polícias, enquanto Pedro, na sua boa fé, vai construindo prédios… E quando soar a palavra pão, virão tiros, pegadas, baba – confusão!
Porque… «Há o que diz que sim e diz que não / conforme a meia cara com que fala» e o importante senhor «viu escadas subiu escadas / ficou ao nível das gruas / e ao nível dos cifrões / Não ao nível das pessoas», embora alicie: «Come o milho, passarinho, vem cá abaixo à minha mão»; mas… «o passarinho tem asas: antes morto que no chão!»
Vem o título do livro de um poema, breve como o são quase todos, de que me prendeu, de modo especial, a 1.ª quadra, numa invocação às «doces aves» que – com esse fio das harpas – vão tecendo o tempo… São as andorinhas da capa, em revoada no azulejo, sedentas de insectos, em algazarra, não são, Fernando? Primavera após Primavera… Este, um poema de 1980, onde, se calhar, carecia haver em cima, ao jeito de José Gomes Ferreira, uma breve frase, em itálico, a contar do motivo da inspiração e da frase, porque, de seguida, há estranhas perguntas à mãe: sobre esse mesmo tempo, sobre açucenas por regar, sobre penas que se revivem. Este tempo que voa… tem doçuras, tem flores imaculadas, tem penas de doer…
E quase nos apetece ficar no rochedo, à beira-mar, ouvindo o piar das aves, o marulhar das ondas… e as açucenas por regar…
Poeta, que queres tu? Que o tempo não voe, que as flores nunca murchem, que as penas desapareçam? Não, poeta! Estás a querer o impossível, ainda que amor de mãe tudo suplante e saiba inventar melopeias e te ofereça os perfumes que inebriam as penas!...

Disse amor e fez o gesto
Disse amor e deu a mão

Este é um daqueles momentos a eternizar, Fernando! E que bonito que é!

Disse amor e pensou homem
disse homem pensou irmão.

Nisto nos levam a palma os poetas, quando, com palavras simples, são do tamanho do mundo!
Termina-se na «construção por vir». Diria eu, a construção que se faz, que se quer fazer, que urge fazer! Para que, na realidade, haja no topo as flores e, espraiando a vista por zimbórios e terraços, de uma vez por todas, dali se veja luz, muita luz e nunca, nunca, a terrível mordaça que silencia, que impõe negras vendas nos olhos, que castiga o grito e ameaça a revolta!
Que, afinal, Amigos, é de fraternidade a mensagem, fraternidade em construção, uma construção difícil, sim, mas tremendamente consoladora:

Pedra sobre pedra
a mão
o muro abraça!

Abracemo-lo!
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FICHA TÉCNICA:
Livro: O fio das harpas
Autor: Fernando Miguel Bernardes
Capa: Arranjo fotográfico de João Nuno (com base em imagem de “Aves de Portugal”, de Raul Serra Guedes e Luís Costa)
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
PVP:16,15 €
N.º de páginas: 160
Formato: 14,8 x 21,0 cm
ISBN: 972-8910-39-6 (EAN: 978-972-8910-39-6)

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Registo de notícias e outras referências:
http://www.e-cultura.pt/AgendaCulturalDisplay.aspx?ID=22668&print=1
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:DVxAE0Eo1x4J:www.cm-loures.pt/fonewsdetail.asp%3FiAno%3D2010%26iMes%3D03%26iSearch%3DPesquisar%26iTexto%3D%26id%3D2346%26stage%3D2+%22O+fio+das+harpas%22&cd=11&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pthttp://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2009/05/fernando-miguel-bernardes-lanca-o-fio.html
http://www.cm-loures.pt/Agenda_mar10_DPoesia.asp
http://www.avante.pt/pt/1856/assembleiadarepublica/29548/?tpl=395
http://www.livapolo.pt/livro/detalhe/fio-das-harpas-o/76116
http://www.avante.pt/pt/2187/argumentos/137573/

"Marginalidades e alguns poemas de amor", de Joaquim Manuel Pinto Serra (com fotografia de Maria das Dores Borges de Sousa)


Com esta sua décima primeira obra publicada, Joaquim Manuel Pinto Serra regressa às origens da sua escrita e da marca poética, desta vez assumindo um tom coloquial, ao jeito de quem conversa com os leitores. E mesmo tratando-se de uma poesia intimista, a linguagem literária do escritor manifesta, de forma peculiar, um elevado valor expressivo e harmonia musical, sendo, ao mesmo tempo, de fácil compreensão e de agradável leitura. Isto deve-se, sem dúvida, à paciência, à persistência e também ao engenho com que o poeta trabalha a palavra.
Como é conhecido, na linguagem, cada substantivo, adjectivo, advérbio ou forma verbal tem dois significados: o pessoal (que é único, pois pertence à pessoa que usa a palavra) e o significado comum (sendo, por isso, partilhado com as outras pessoas).
Nesta conformidade, o poeta Joaquim Manuel Pinto Serra sabe cativar o outro – ou seja, o leitor – porque, não obstante a estilística (com as suas figuras de sintaxe, de pensamento e as suas imagens literárias), preserva as quatro qualidades fundamentais da linguagem: a clareza, a correcção, a pureza e a harmonia.
Assim, a obra “Marginalidades e alguns poemas de amor” garante uma intenção estética, mas também coloca em jogo os recursos de que o escritor se serve para expressar o que lhe vai na alma e no pensamento, além das suas reacções emotivas perante a vida e o próprio sentido da vida, naturalmente polissémica e cheia de surpresas, como quem desfolha um livro de poesia. A sociedade e a linguagem são, indiscutivelmente, os primeiros produtos da cultura, sendo esta a verdadeira extensão de cada um de nós, enquanto homens e mulheres que agem, fazem e sabem. E o escritor Joaquim Manuel Pinto Serra, que tem experimentado os mais diversos géneros literários, incluindo a escrita para um público juvenil, arroga-se como um co-responsável cultural. Daí a sua ansiedade e a sua perplexidade de cada vez que publica um livro, que é o suporte material do saber e da imortalidade, da utopia e da loucura, do disfarce e da aparência, do sonho e da ilusão, da solidão e da intranquilidade e também do segredo e da ausência – temas que dão significado às seis partes que organizam a obra “Marginalidades e alguns poemas de amor”
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PALAVRAS DE APRESENTAÇÃO:
O livro Marginalidades e alguns poemas de amor, de Joaquim Manuel Pinto Serra, é constituído por seis conjuntos de sete poemas cada um – conjuntos esses que apresentam títulos em dísticos começados com a preposição de, à maneira dos antigos autores clássicos, além de terem as segundas linhas ou versos mais longos: e.g. “do saber / e da imortalidade”, “da utopia / e da loucura”, “do sonho / e da ilusão”, “da solidão / e da intranquilidade”.
Trata-se de um livro que vive da nostalgia de um amor que é ausência e que a memória revive e desfia – memória que tanto relevo tinha entre os antigos Gregos, a ponto de considerarem ter sido da união de Mnemósine (a Memória) com Zeus, o próprio pai dos homens e dos deuses, que nasceram as Musas, ou seja, a poesia. E a sublinhar essa sensação de perda e de vazio, na colectânea, são frequentes termos como memória, solidão, ausência, espera, saudade. Repare-se neste dístico do poema da página 18: cobrem-nos de sabedoria estas paredes vaziase nelas existem fantasmas de solidão e de espantoou nestes versos-estrofe, um a concluir o poema 3 (pág. 19) e o outro como penúltima estrofe da composição 4 (pág. 20), respectivamente: “e desassossegos de longas esperas” e “um olhar ausente”. Ou pode ser “e o segredo intransponível de uma ruga” ou “um oásis a morar em nós / na dor oculta” (pág. 22). Aliás – o que não deixa de ser significativo –, solidão e ausência fazem parte do título das secções 5 “da solidão / e da intranquilidade”) e 6 (“do segredo / e da ausência”) do livro. Pode ser bom exemplo dessa ausência o poema da página 20 que alude à folha em branco em que se escreve, onde as palavras “são dicionários de espuma e de saber”. Apesar disso, nessa escrita “mudam-se emoções” e os afectos, um mundo em movimento que é mentira, “um olhar ausente / uma dor infinda”. Por sistema, os poemas começam por estrofes de dois ou mais versos (três ou até quatro) e terminam quase sempre por estrofes de um único verso, também quase sempre curto, de uma ou duas palavras apenas. Apetece chamar-lhe conclusão sincopada, como soluço de quem se sente cansado. Pode ser um bom exemplo a primeira composição do livro (pág. 17), de seis estrofes, que se inicia com três estrofes de três versos, passa por uma de dois e apresenta apenas um em cada nas duas finais.Muito raros são os poemas que terminam por verso extenso. E curioso se torna verificar que tal acontece com o último da colectânea, em que impera a memória da ausência e conclui com o verso “esperando em tons de azul o teu regresso”, verso longo que aparenta derradeiro esforço de esperança, qual náufrago que tenta última braçada. Mais uma ou duas observações sobre aspectos formais do livro – que, no entanto, podem ter relação com o ritmo interior do autor. Por exemplo, é curioso – e talvez até significativo – que os poemas, com frequência, aparecem constituídos por sete estrofes. Há mesmo uma secção, a quarta, com o título “do sonho / e da ilusão”, em que os poemas ímpares são formados por sete estrofes e os pares por seis. Trata-se de um ritmo heptástico que é próprio do autor – aliás, integrado no filão a que Trindade Coelho chamou “O Senhor Sete”. Também poderíamos apelidar de hebdomadário, porque tem muito a ver com o suceder semanal do tempo, embora Joaquim Manuel Pinto Serra me tenha confessado que não procurara deliberadamente esse número de poemas e de estrofes.
Se o livro "Marginalidades e alguns poemas de amor" se impõe por certas características formais, deixa ainda mais a sensação geral de transitoriedade, de fragilidade, de precariedade. Tudo flui e passa. E tal nos aparece em poemas, como o 2 da secção 1 (pág. 18), uma composição bem conseguida, cuja conclusão pela palavra vento, em estrofe isolada, é feliz e deixa a mensagem em suspenso, como que a pairar. Ou ainda mais no poema 3 da secção que tem por título “do disfarce / e da aparência” (pág. 35), em que “somos barcos que se movem ao sabor de um rio / onde naufragam”, em que cada um está de passagem a procurar “onde o mar acaba e a lágrima corre”, e uma lágrima que está “apenas em viagem / para uma outra margem”.
Essa fragilidade está evidente na última composição da primeira secção (pág. 23), em um conseguido poema em que as coisas ditas, boas e agradáveis, são trazidas pelo tempo, voláteis. Nele paira a sensação de fragilidade, de algo efémero, com o final feliz de descanso extasiado na eternidade “a viver a magia imaculada / de um momento”.

José Ribeiro Ferreira
Coimbra, Páscoa de 2009
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Marginalidades e alguns poemas de amor (apresentação de José Ribeiro Ferreira)
Autor: Joaquim Manuel Pinto Serra
Fotografia (capa e interior): Maria das Dores Borges de Sousa
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Poemar (N.º 5)
PVP:12,72 €
N.º de páginas: 74
Formato: 13,0 x 19,0 cm
ISBN: 972-8910-38-9 (EAN: 978-972-8910-38-9)
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Registo de notícias e outras referências:
www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=99944
appoetas.blogs.sapo.pt/14032.html

Sistema de saúde português: riscos e incertezas - Relatório de Primavera 2008


O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) é uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública, a Faculdade de Economia de Coimbra - Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra e o Instituto Superior de Serviço Social do Porto.
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COLABORADORES DESTE RELATÓRIO DE PRIMAVERA:
António Barros Veloso
António Melo Gouveia
Cipriano Justo
Fátima Bragança
Fernando Gomes
Joana Sousa Ribeiro
João Oliveira
João Santos Cardoso
Jorge Espírito Santo
José Luís Biscaia
Luís Saboga Nunes
Manuel Oliveira
Patrícia Antunes
Patrícia Barbosa
Paulo Kuteev Moreira
Pedro Beja Afonso
Pedro Lopes Ferreira (coordenador)
Teodoro Hernandez Briz
Vítor Raposo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

"Uma professora ao canto do olho", de Joaquim Manuel Pinto Serra e Maria Armanda Tavares Belo


“(...) Quando terminei a leitura de mais este capítulo, depois de pensar um pouco, comentei para o meu avô, perplexo: – Gostei da maneira inteligente como ela encarou a sua aposentação... – E, no fundo, a preparou, escrevendo contos para crianças. É um modo interessante de continuar com elas, sobretudo quando se gosta delas, como ela gostava... E de as continuar a compreender, como sempre as compreendeu... De viver o seu mundo... pela escrita. Terminou a sua vida activa de professora como começou, entregando-se ao seu grande amor: o ensino de jovens, especialmente os mais carenciados e difíceis. Para mim, ela deu-me, passados todos estes anos, a sua última lição: a da sensibilidade.
Uma nova lágrima apareceu ao cantinho do olho do meu avô. E a sua professora lá estava, como sempre, alongando-se pelo rosto, devagarinho, muito devagarinho...
– Vamos prosseguir, Jorge! – a sua comoção era evidente, deixando-o entristecido.
Eu tentei disfarçar quanto pude. Confesso que também estava comovido... Talvez por ver aproximar-se do fim uma vida que valera a pena: a da antiga professora do meu avô!
– Mas, avô, eu já terminei a leitura. Não estejas triste, está bem? Havemos de ir a Lisboa mais vezes, falar com a tua antiga professora, pois gostei muito dela, principalmente depois de termos lido e comentado o seu manuscrito. (...)”
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OS AUTORES:

Joaquim Manuel Pinto Serra é algarvio – natural de Loulé – e reside em Coimbra.Médico psiquiatra, foi assistente hospitalar no Hospital Psiquiátrico de Sobral Cid (Serviço de Inimputáveis Perigosos do Ministério da Justiça) e chefe de serviço no Centro Psiquiátrico de Recuperação de Arnes, de que foi director (de 1984 a 1996).
Actualmente, está aposentado da carreira hospitalar e continua a exercer a sua especialidade, como profissional liberal.
É membro de várias associações artísticas e literárias e integra o Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos. Publicou cinco livros de poesia, três de contos e um romance.

Maria Armanda Tavares Belo é algarvia – natural de Faro – e reside em Lisboa.Professora do Ensino Básico e de crianças deficientes, dedica-se, desde a sua aposentação, à literatura para a infância e à poesia.
Frequentou o Curso de Filologia Clássica da Faculdade de Letras de Lisboa, o Curso de Surdos do Instituto Jacob Rodrigues Pereira, na Casa Pia de Lisboa, e trabalhou no Centro de Apoio a Crianças Deficientes de Audição e Fala, da Junqueira. Exerceu o magistério durante oito anos, no Instituto de Meios Audiovisuais, como monitora e coordenadora do Posto Piloto da Telescola. É membro de algumas associações literárias. Publicou quatro obras de literatura para a infância, uma de poesia e uma biografia póstuma do seu tio, maestro Tavares Belo.
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"Um rapaz na Arabândia", de Paulo de Miranda (com prefácio de Teresa Sousa Fernandes)


Com o livro "Um rapaz na Arabândia", o escritor Paulo de Miranda (pseudónimo literário do médico obstetra António Santos Paulo) dá início à colecção “Boa Onda”, dirigida especialmente aos jovens leitores, sob a chancela da editora Mar da Palavra.
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APRECIAÇÃO CRÍTICA:
Quando conheci o autor, para mim o Santos Paulo, meu colega de profissão, médico obstetra, não consegui captar a sua sensibilidade tão desperta para coisas do Mundo… reconheço.
Através dum convívio profissional mais cuidado, consegui conhecer pedaços de si, inclusive a sua passagem por África nos primeiros anos da sua vida.
Foi uma fase de aprendizagem médica que terminada nos afastou, conhecemo-nos pouco.
Certo dia, já tinha eu publicado alguns livros, histórias de vidas a que fui sempre atenta e que ele conhecia, fui confrontada com um seu pedido que não pude recusar, longe de mim… ler e comentar o seu “Um rapaz na Arabândia”.
Fiquei surpreendida. A pouco e pouco, fui aprendendo os mistérios africanos, vários e variados, fui descobrindo um homem que não conhecia, uma África que ainda desconheço mas da qual já me sinto a saber muito.
Não consegui conter-me e incentivei-o à publicação. Merecia ser lido. Lido por todos.
Fiquei no momento indecisa a quem deveria ser dirigida a obra, mas pela fácil leitura, pela aventura, pelos ensinamentos colhidos, pelas sensações transmitidas pela voz de uma criança, o Tozé, recomendo a “Arabândia” a leitores dos seis aos sessenta anos.
Do primeiro capítulo – Como o Tozé conheceu o Mundo – destaco, para vos aguçar o apetite da leitura, o seguinte parágrafo:“Tozé estava completamente desconcertado com aquela novidade. O amigo explicou-lhe que quando um rapaz perfazia treze anos chegava à idade adulta. Para ser reconhecido como tal, tinha de ser iniciado como guerreiro. Era levado, com todos os outros, para fora da aldeia e tinha de aprender a viver sozinho na savana, caçando, seguindo pistas, percorrendo longos caminhos e não bebendo água durante vários dias. Ninguém o podia ajudar nesse período de tempo. Se chegasse ao fim das provas e fosse considerado digno de ser um guerreiro, era circuncidado, tinha direito a usar armas, a ter seu gado, a casar e a ter uma casa. Tozé inquietou-se”.
Mas este amigo… “este menino era estranho: tinha dez irmãos e irmãs do seu pai, mas da mãe era só ele e uma irmã. O pai tinha três mulheres (Tozé nem queria acreditar! Será que isso lá poderia ser?). Como o viu desconfiado, Mzili desafiou-o a ir a sua casa. Embora recordado de todas as recomendações da mãe, a tentação tomou conta dele e lá foram os dois”.
Claro que a “Arabândia” não tem só este capítulo, mas este é o começo do livro e de uma vida que marcou o autor, a prefaciadora, o pintor da capa, Paulo Santos de seu nome, também ligado à medicina através da informação médica e do seu não menos “stressante” percurso de vida.
Em suma, não me compete desvendar-lhes mais, só recomendar uma leitura cuidada, que vai ser apetecida do princípio ao fim, uma simbiose perfeita – Santos Paulo e Paulo Santos – escritor e pintor.

Teresa Sousa Fernandes
(médica e escritora)
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AUTOR:
António Augusto dos Santos Paulo nasceu em 20 Janeiro 1958, na cidade de Bulawayo, na antiga Rodésia do Sul (hoje Zimbabwe). Viveu os primeiros anos divididos pela cidade (Bulawayo), por várias povoações mais pequenas e pela savana. Também viveu na Bechuanalândia (hoje Botswana) que, ao contrário da Rodésia, era governada pelos autóctones, embora com estatuto de protectorado. Aos sete anos, vem a Portugal e sente um enorme contraste entre as sociedades, tradições, usos e costumes, factos que influenciaram definitivamente a sua personalidade. Todas estas vivências enriqueceram a sua vida embora (compreensivelmente) lhe provocassem conflitos, dúvidas e dificuldades de adaptação. Mas sobreviveu e fez-se homem na simpática vila de Miranda do Corvo, de onde era originária a família paterna. Completou a escola primária (iniciada em África) em Miranda do Corvo, fez o ciclo preparatório da Escola Carlos Reis, na Lousã, e o Liceu em Coimbra. Entrou para a Faculdade de Medicina de Coimbra em 1978 e licenciou-se em 1984. Posteriormente, especializou-se em Ginecologia e Obstetrícia, domínio da sua profissão. É casado e tem dois filhos. Vive e exerce na cidade de Viseu, mas continua a ser de “alma e coração” africano e mirandense.
A escolha do pseudónimo de Paulo de Miranda tem por base um sentimento de gratidão pela terra que o viu crescer.
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Um rapaz na Arabândia
Autor: Paulo de Miranda
Capa: Pintura de Paulo Nogueira Santos
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Boa Onda (N.º 1)
PVP: 15,15 €
N.º de páginas: 128
Formato: 14,7 x 21,0 cm
ISBN: 972-8910-34-1 (EAN: 978-972-8910-34-1)
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Registo de notícias e outras referências:
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2008/04/paulo-de-miranda-lana-um-rapaz-na.html
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2008/05/paulo-de-miranda-lana-um-rapaz-na.html
http://www.tempomedicina.com/Arquiv.aspx?Search=mar+da+palavra
http://www.wook.pt/ficha/um-rapaz-na-arabandia/a/id/203541

«Frátria», de Carlos Carranca (com fotografias de Miguel Afonso Carranca)


PRÉ-FACE

O que a Vida tem de melhor é o facto de ser breve na eternidade que deixamos nos outros. Nela há qualquer coisa que nos escapa, desde o nosso corpo como objecto da nossa representação, até ele se tornar vontade e através dele estarmos em relação com a Natureza. O meu corpo passa a ser a Natureza em mim.
Mas nós somos sempre mais do que conhecemos e os nossos versos vão para além daquilo que sabemos, daquilo que escrevemos.
A vontade (ou a falta dela), como essência de tudo, é a responsável (irresponsável) da nossa miséria, da miséria humana.
A Morte, essa, não está em parte alguma – ela existe na Natureza que se renova.
Toda a palavra sobre a Morte é do domínio do imaginário mas, como todo o imaginário, está cheia de conteúdo da Vida, sobretudo do que da Vida nos escapa. Ela procura uma resposta para a solidão ontológica radical, singular, condenada a sonhar o sonho, que é como quem diz, condenada à inconsistência do sonho.
Pensar na Vida como ela é, é pensá-la com a Morte; é sentir, é sentir-se, é falar de si mesmo, conviver, é entender-se com os outros sem subjugar ninguém nos caminhos da razão.
O que desejamos verdadeiramente? Tocar o coração das coisas ou, como afirmou um dia Unamuno, “nas entranhas do presente buscar a eternidade viva”.
É, pois, trágico, para quem vive em constante procura da essência das coisas, assistir, impotente, à dura realidade de uma Pátria a afastar-se da essência e a perder-se na imitação e na vulgaridade utilitárias. Porque não há nada que mais nos degrade do que esta entrega à idolatria da técnica e do consumismo de massas, onde a preocupação dominante do negócio e a intensidade frenética da Vida aniquilam toda a inquietação espiritual.
Agitar, inquietar, libertar, essa foi, é e será a eterna missão da Poesia.
Interrogo-me, frequentes vezes, se não estará a poesia mais próxima da magia do que da literatura. Ora, o Poeta não é um literato, é um mágico, sendo na dimensão transfiguradora da realidade que o Poeta se cumpre, e não no acervo de obras consultadas ou na profusão de autores citados. Não é citando os criadores que o Poeta existe, é existindo que o Poeta é.
Vivemos num tempo em que os discursos soam a oco. Vivemos num tempo de múltiplas palavras sem sentido, usadas nos comércios diários dos interesses; palavras que são utilizadas e deitadas fora, palavras sem peso específico, sem leveza, em suma, sem valor.
Porque a Poesia passa pelo ritmo encadeado das palavras, e porque ele, o ritmo, assenta na originalidade com que as juntamos ou separamos, é que, ao confrontarmo-nos com a palavra poética, nos reencontramos com a originalidade, com o valor da palavra, com a oração do silêncio – onde nenhum silêncio é já possível, o de alguém que procura a palavra perdida e o seu lugar no homem, o mundo como adjectivo: asseado, purificado, limpo.Ao entrarmos na obra poética, penetramos na vida que se afasta da razão sem a dispensar, e se aproxima da pura sensibilidade. A Poesia, com as palavras, refaz sentidos, dá-lhes outra coloração, transforma-as sem as deformar.
Há na Poesia uma conciliação da disciplina com a liberdade, ela não mistura poema com ideias, elas estão lá mas são a Poesia. Não cede à facilidade, não transige com a rima, dá-se numa entrega contida, lúcida, solitária. São palavras depuradas pela sua nudez. São palavras recolhidas em si mesmas.
Há na Poesia uma dimensão espiritual, direi mesmo, religiosa, que entra em nós e se recolhe – é a nossa voz que ressoa e nos acorda na transparência da voz do Poeta.
Na ética e na religião, a questão essencial é saber se o homem se redime a si mesmo ou se será redimido por outro; se a sua obrigação é quebrar as suas grilhetas ou, agrilhoado, ir quebrar as grilhetas alheias.
A Poesia tenta, pela palavra, libertar-nos do ruído que aprisiona e, em função do outro, libertá-lo, religando-o à palavra perdida no aperfeiçoamento do mundo.
No princípio era o Verbo.Todas as coisas foram feitas pela palavra, a palavra desocultadora do mundo, da Vida, da beleza.Sabemos que a Morte é a mentira e a verdade é a Vida, mas também sabemos que a única verdade objectiva é a Morte, porque a Vida é um conjunto de mentiras que nos serve de consolo; mas o Poeta sabe, também, que a palavra vence a Morte e que é a palavra poética a mais humana das obras.

Carlos Carranca
Monte Estoril, 22 de Setembro de 2007
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O AUTOR:
Carlos Carranca nasceu na Figueira da Foz e mantém forte ligação com a Lousã. É professor do ensino superior, poeta, ensaísta, declamador, cantor e animador cultural. Licenciado em História, é professor auxiliar convidado da Universidade Lusófona, docente da Escola Superior de Educação Almeida Garrett e da Escola Profissional de Teatro de Cascais. Foi presidente da Direcção da Sociedade de Língua Portuguesa e fundador e elemento da Direcção do Círculo Cultural Miguel Torga, bem como sócio fundador da Sociedade Africanóloga de Língua Portuguesa. Integra o Centro de Estudos de História Contemporânea e fundou o Centro de Iniciação Teatral, juntamente com Carlos Avilez e João Vasco.
Estudioso das tradições populares e académicas de Coimbra, é como poeta que se torna conhecido, com três livros ligados à temática coimbrã: “Serenata Nuclear”, “7 Poemas para Carlos Paredes” e “Coimbra à Guitarra”. É, porém, como divulgador da poesia portuguesa, enquanto poeta e ensaísta (torguiano convicto) e na qualidade de animador cultural, que o seu trabalho ganha importância. Em Junho de 2001, recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Município de Cascais.
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Frátria
Autor: Carlos Carranca
Fotografias (capa e interior): Miguel Afonso Carranca
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
PVP:
 16,15 €
N.º de páginas:
 138
Formato:
 14,8 x 21,0 cm
ISBN:
 972-8910-58-7 (EAN: 978-972-8910-58-7)
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Carlos Carranca canta FRÁTRIA (Carlos Carranca e António Toscano)
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Registo de notícias e outras referências:
http://ccarranca.blogspot.com/2008/04/convite-cmara-municipal-de-coimbra.html
http://ccarranca.blogspot.com/2008/06/livro-de-carlos-carranca-apresentado-em.html
http://ccarranca.blogspot.com/2008/06/carlos-carranca-apresenta-frtria.html
http://ccarranca.blogspot.com/2008_05_01_archive.html
http://www.harmoniadomundo.net/Poesia/Carlos_Carranca.htm
http://www.armazeml.com/product_info.php?products_id=56508
http://guitarrasdecoimbra.blogspot.com/2008/09/ars-poetica-45-frtria-de-carlos.html
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&task=view&id=5064&Itemid=30
http://www.wook.pt/ficha/fratria/a/id/203977

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Um olhar sobre os Nobel da Paz", livro da autoria de Paula Cristina Marques


Um olhar sobre os Nobel da Paz (com apresentação de D. Tomaz Silva Nunes, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã) é uma obra que se dirige, especialmente, aos alunos da área disciplinar de Educação Moral e Religiosa Católica, sendo também um instrumento útil para apoio a professores e outros educadores dos ensinos básico e secundário.
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A paz é um anseio profundo da Humanidade. O mundo de hoje é atravessado por violências e guerras que comprometem a realização da paz, e por mutações sociais e culturais que podem pôr em risco a solidez da paz já alcançada. Mas a paz é um ideal possível de atingir. É mesmo uma urgência: sem ela não há desenvolvimento humano integral, harmónico, durável e sustentado; e ela é, por outro lado, fruto do próprio desenvolvimento, assim entendido. A paz é um dom de Deus oferecido à Humanidade, porque “Deus é amor” (1Jo 4, 16) e o amor gera a paz. Daí que Ele seja, também, o Deus da paz.
Por isso, Jesus, o Filho de Deus Vivo, comunica-a aos seus discípulos: “A paz esteja convosco!” (Jo 20, 19.26), e convida-os a viverem como filhos de Deus, construindo a paz: “Bem-aventurados os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9). Dom e tarefa: eis a natureza da paz, que requer o empenho da Humanidade, a todos os níveis e de múltiplas formas, como: a formação da consciência pessoal e social, a vivência da fraternidade na família, o respeito pelo próximo, a valorização do diálogo entre as culturas, e as relações entre povos e nações, imbuídas de justiça e solidariedade. A autora da presente publicação, “Um olhar sobre os Nobel da Paz”, apresenta um conjunto de personagens a quem foi atribuído “Prémio Nobel da Paz”, começando por referir o próprio criador deste Prémio. O universo dos premiados, que contempla, é reduzido, mas eles foram criteriosamente seleccionados, de forma a assegurar diversidade quanto a nacionalidade, cultura, religião, filosofia de vida, carisma e campo de intervenção, e, assim, sensibilizar o leitor para a responsabilidade universal no empenho na construção da paz, através de uma multiplicidade de caminhos possíveis.
A autora pretende oferecer um meio didáctico e pedagógico para a educação de adolescentes e jovens. Deste modo, presta um serviço muito útil, pois, como lembrou o Papa João Paulo II: “A educação tem uma função particular na construção dum mundo mais solidário e pacífico. Ela pode contribuir para a consolidação daquele humanismo integral, aberto à dimensão ética e religiosa, que sabe atribuir a devida importância ao conhecimento e apreço das culturas e dos valores espirituais das diversas civilizações” (Mensagem para a celebração do Dia Mundial da Paz de 2001). A apresentação de uma abundante fonte de recursos multimédia, que abrem vias para o conhecimento de outras personalidades, a quem a Humanidade deve importantes contributos para a construção da paz mundial, é outro elemento que faz desta publicação um instrumento muito útil para apoio a professores e outros educadores dos ensinos básico e secundário.

Tomaz Pedro Barbosa Silva Nunes
(Bispo Auxiliar de Lisboa e Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã)
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A AUTORA:
Paula Cristina Ferreira Marques – Licenciada em Ciências Religiosas pela Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, com profissionalização em Educação Moral e Religiosa Católica, é docente desta disciplina desde 1988. Começou na Escola Básica Integrada da Pampilhosa da Serra e passou pelas Escolas Básica e Secundária da Mealhada. Durante cinco anos, leccionou na Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa). Exerceu na Escola Básica do 2.º Ciclo de Mira e, actualmente, é professora do Quadro de Escola, desde 2006, na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. José Lopes de Oliveira, em Mortágua.Dinamizou vários projectos, nomeadamente, um Clube de Teatro, e promove, com frequência, acções ligadas à sua área disciplinar, de que se destaca o Dia Escolar da Não-Violência e da Paz. Organiza exposições sobre diversos temas: Os Prémios Nobel da Paz, Os Direitos Humanos, A escrita Braille, etc., sempre com a colaboração de outras áreas disciplinares. Tem o Curso de Mestrado em Ciências da Educação, pela Universidade Católica Portuguesa (Viseu).
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Um olhar sobre os Nobel da Paz
Autor: Paula Cristina Marques (com apresentação de D. Tomaz Silva Nunes)
Capa: Concepção gráfica de Maria Raquel Nery
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Ensino e Formação (N.º 2)
PVP:
 10,60 €
N.º de páginas:
 72
Formato:
 14,5 x 21,0 cm
ISBN:
 972-8910-32-7 (EAN: 978-972-8910-32-7)
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Registo de notícias e outras referências:
http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/20da2ee678a59741236cee.html
http://www.cm-mortagua.pt/modules.php?name=News&file=print&sid=357
http://www.mortagua.com/paginas/noticias/noticia_0109.html
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2008/01/paula-cristina-marques-lana-um-olhar.html
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2008/02/paula-cristina-marques-lana-um-olhar.html
http://gazetadecoimbra.pse-engineering.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=3134:mar-da-palavra---edições,-lda.:-"um-olhar-sobre-os-nobel-da-paz-...&catid=1:blogs&Itemid=50
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2008/03/paula-cristina-marques-lana-o-seu-um.html
http://www.wook.pt/ficha/um-olhar-sobre-os-nobel-da-paz/a/id/202847
http://www.armazeml.com/product_info.php?manufacturers_id=436&products_id=56507
http://www.fnac.pt/UM-OLHAR-SOBRE-OS-NOBEL-DA-PAZ-MARQUES-PAULA-CRISTINA/a74278