quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

"Homens... ou racionais poligâmicos", de Teresa Sousa Fernandes (com prefácio de Joaquim Manuel Pinto Serra)

Este livro é ilustrado por Maria Isabel da Costa e Almeida Matos, David Rebelo, Fernando Jorge Pratas dos Reis Costa, Maria Clara Gonçalves Morais Rodrigues, José António Lobão Alves de Figueiredo e por Maria Dulce Zamith Cerveira de Moura Abreu.
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"Homens… ou racionais poligâmicos", da autoria de Teresa Sousa Fernandes, obra com a chancela da Mar da Palavra, prossegue a linha narrativa da escritora, de forma simples e directa, a partir de situações da vida real que identifica numa entrega apaixonada. Assim, a autora dá vida a uma espécie de "fix-up", servindo-se de um conjunto de pequenas histórias que funcionam independentemente mas que se interligam para contar uma história maior, dando a conhecer originais e reaproveitando textos previamente publicados.
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APRECIAÇÃO CRÍTICA:
Desde sempre, os jogos do amor, ou melhor, os jogos da sedução têm preenchido as análises literárias, psicológicas e psicopatológicas de quase todos os escritores, através dos tempos. Conforme as limitações sociais, políticas, morais e religiosas, eles têm-nos dissecado e interpretado, resolvendo-os com múltiplas soluções, muitas vezes desesperadas, outras nem tanto… Mas envolvendo-as de doce encanto e poéticas intenções. Mudam-se os tempos, mudam-se as soluções… E temos de novo, aqui e agora, em pleno século XXI, Teresa Sousa Fernandes, com a mestria pós-moderna de uma saudável loucura, a redistribuir as peças no tabuleiro de um jogo interminável, prenhe de ironia e sensualidade, mas muito mais sociável e desinibido do que outrora.
Não compete a um prefaciador induzir o leitor… E muito menos encaminhá-lo na leitura da obra que lê. Sobretudo, quando essa obra é tão difícil de catalogar como esta que estamos a prefaciar, neste momento. Teresa Sousa Fernandes mostra-nos, como em obras anteriores, o seu salutar desprendimento, ao tratar os jogos da sedução com a perspicácia que lhe é peculiar. “Loucura…”, dirão alguns, os mais propensos a socorrerem-se da psiquiatria para definir os novíssimos tempos. “Intriga…”, dirão outros tantos, os mais desatentos e indisciplinados nas correrias pela saudade e pelo bom senso. “Aberta e desempoeirada…”, dirá o prefaciador, ao considerá-la desprovida de falsos moralismos e inusitados pudores, tão desnecessários e falsos como obscenos.
Já não se morre de amor? E de infidelidade? Os jogos tornaram-se pragmáticos, em surpreendentes matizes de cómoda e real racionalidade? E as poligâmicas vontades substituíram as enigmáticas dúvidas, dando lugar a outras mais criativas soluções? Teresa Sousa Fernandes equaciona tudo isto, mas não desvenda. Porque deixa – aos leitores e à loucura salutar de cada um – o desadormecimento do seu subconsciente, em polémicas intenções e agradáveis subtilezas.A autora baralha-nos o jogo e mostra-nos os hábeis bluffs, idealizados por um oportuno xeque-mate que intencionalmente se eterniza.
Teresa Sousa Fernandes, uma irónica observadora, sorri do seu próprio humor e oferece-nos, com inovadores propósitos, um passeio pela sabedoria e pelo talento, iniciando-nos num jogo que não tem fim, porque é eterno, de todos os tempos e de todas as gerações…

Joaquim Manuel Pinto Serra
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CAPA: Reprodução do quadro "- La più bella sera! / - Con te, alle otto", de Maria Isabel da Costa e Almeida Matos Godinho

2 comentários:

  1. Parece-me, à partida, uma obra deliciosa com vários objetivos dos quais destaco dois: conduzir o leitor à meditação analítica sobre o polémico tema permitindo-lhe, em simultâneo, a distanciação evasiva que qualquer romance se lhe oferece!
    Uma questão: Encontra-se à venda em todo o país? (Portugal)

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    1. Sim, o livro foi distribuído na rede livreira que colabora com a nossa editora. No entanto, se pretender adquirir exemplares desta ou de outras obras publicadas pela Mar da Palavra, contacte-nos!

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